Sonda InSight da NASA começa a estudar estranhos zumbidos em marte.
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| fonte:wikipédia.com |
Marte sempre têm sido estudado, nosso planeta vizinho vermelho, que guarda tantos segredos quanto a terra.
Debaixo da sua superfície gelada e poeirenta, Marte está a zumbir. Este som silencioso e constante pulsa periodicamente com o rugir dos sismos que se fazem sentir por todo o planeta, mas a fonte desta música alienígena permanece desconhecida.
Este zumbido marciano é apenas um de vários mistérios detetados pela sonda InSight da NASA. As observações, descritas num conjunto de cinco estudos publicados na Nature Geoscience e Nature Communications, oferece um vislumbre sobre a atividade surpreendente que acontece por baixo e por cima da superfície do planeta vermelho.
A sonda InSight aterrou em Marte em novembro de 2018, depois uma descida difícil até uma extensão plana e inexpressiva perto do equador do planeta. Desde então, a sonda tem usado um sismómetro extremamente sensível, e uma série de instrumentos adicionais, para fazer leituras que estão a ajudar os cientistas a desvendar a atividade geológica e a estrutura interna de Marte.“É um alívio enorme poder finalmente levantar-me e gritar, vejam todas estas coisas incríveis que estamos a observar”, diz Bruce Banerdt, investigador principal da missão InSight.
Para além do zumbido estranho, o último conjunto de dados da InSight também descreve a primeira zona de falhas ativa descoberta em Marte, os padrões e pulsações dos campos magnéticos modernos do planeta e indícios sobre o passado magnético do mesmo. Todas juntas, estas informações recolhidas em Marte são vitais para descobrir como se formam todos os planetas rochosos e como evoluem ao longo do tempo.“Não podemos apenas criar um modelo baseado na Terra; precisamos de mais dados”, diz Suzanne Smrekar, vice-investigadora principal da missão InSight. “É muito entusiasmante poder observar algumas destas coisas e tentar compreender Marte.”
Sismos de origem peculiar
Para identificar com precisão a causa destes sismos, e para ter uma ideia mais refinada do que está a acontecer no subsolo, os cientistas precisam de detetar mais tremores. “Adorávamos observar um sismo de magnitude 5”, diz Smrekar. “É um jogo de paciência.”
A Terra tem muitos zumbidos constantes, o mais prevalente vem da agitação dos oceanos e do impacto das ondas na costa. Mas a 2.4 hertz, o zumbido de Marte é um tom acima de muitos dos zumbidos naturais da Terra, que tendem a cair abaixo de 1 hertz, diz Stephen Hicks, sismólogo no Imperial College de Londres que não participou nos novos estudos.
As análises sugerem que o zumbido de Marte não está relacionado com os ventos que fustigam o planeta, e parece aumentar com o tremor dos sismos distantes. O efeito é o mesmo que fazer tocar uma campainha com um grito, explica Joshua Carmichael, geofísico quantitativo no Laboratório Nacional de Los Alamos. As nossas vozes têm uma mistura de frequências e, se alguma corresponder à ressonância da campainha, os nossos gritos podem fazer com que esta toque. Talvez este zumbido esteja relacionado com as características geológicas da região por baixo da InSight que, de alguma forma, amplificam esta tonalidade em específico, diz Banerdt. A InSight está numa cratera antiga – que desde então ficou cheia de poeira e areia – que pode estar reverberar com os sismos. Porém, esta estrutura não acusa os efeitos dos ventos turbulentos e parece demasiado pequena para gerar este tipo de som em particular, diz Banerdt.
O zumbido e os sismos podem ter origens diferentes, diz Hicks. E a própria InSight também pode estar a provocar esta ressonância misteriosa, acrescenta Banerdt. “É muito intrigante”, diz Banerdt. “Não conseguimos chegar a um consenso sobre o que pode ser.”
Retrato magnético detalhado
Os orbitadores conseguiram obter uma imagem difusa desta manta de retalhos, mas voavam muito acima do solo. No terreno, a InSight conseguiu obter o equivalente a uma imagem de alta resolução, revelando que o campo magnético é muito mais intenso do que se esperava. Apesar de a medição da sonda ser apenas um ponto de dados, as informações podem eventualmente ajudar a desvendar a força do dínamo do passado de Marte, algo que, por sua vez, pode responder a questões sobre quando e como é que o planeta passou de um mundo quente e húmido para um globo frio e seco.
“Esta medição foi apenas o primeiro vislumbre – um único ponto – do quão mais forte pode ser o magnetismo”, diz Robert Lillis, físico planetário na Universidade da Califórnia, em Berkeley, que não integrou a equipa do estudo. Os novos estudos também oferecem uma pista sobre a idade do efeito dínamo de Marte. Os investigadores conseguiram rastrear os sinais até uma unidade rochosa, a quilómetros de profundidade, que se acredita ter cerca de 3.9 mil milhões de anos – cerca de 200 milhões de anos mais nova do que a data previamente avançada para o desaparecimento do dínamo do planeta vermelho.
Será que o dínamo agitou o núcleo de Marte durante mais tempo do que se pensava? É difícil responder a esta questão devido às vastas incertezas na idade das unidades rochosas, adverte Catherine Johnson, autora do novo estudo sobre os campos magnéticos de Marte e geofísica na Universidade da Colúmbia Britânica e no Instituto de Ciências Planetárias dos EUA. Mas as futuras descobertas da InSight podem oferecer mais informações.
A turbulência destes ventos solares pode gerar ondas no campo magnético do planeta, e este processo, ou efeitos semelhantes, podem ser a fonte das pulsações que a InSight mediu na superfície do planeta.
“Não conseguimos compreender por completo de onde vêm”, diz Johnson. Mas as análises da InSight feitas no solo, em conjunto com as observações feitas pelo MAVEN em órbita, podem ajudar a desvendar esta questão.
Enquanto isso, todos os dados da InSight e os novos estudos estão disponíveis ao público, com novos conjuntos de dados a serem divulgados publicamente a cada 3 meses. Banerdt espera que outros cientistas se juntem à sua equipa – nos esforços continuados para decifrar os dados.
“Quanto mais mentes tivermos a pensar sobre isto, mais probabilidades temos de encontrar as respostas corretas”, diz Banerdt.
fonte:www.natgeo.pt

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