Sonda desvenda um caso bizarro em marte, o lago que virou montanha.
Cientistas do projeto Curiosity, da Nasa, dizem ter encontrado uma explicação para uma montanha que existe no centro da cratera de Gale, local de pouso da sonda-robô que está explorando Marte. Eles acreditam que a montanha é formado por depósitos de sedimentos deixados por sucessivos lagos formados na bacia da cratera ao longo de dezenas de milhões de anos.
Mais tarde, ventos teriam escavado uma planície circular no entorno, formando o pico de 5 km de altura visto hoje, o Monte Sharp. Se a teoria for comprovada, terá consequências importantes sobre nosso conhecimento do clima que existia no passado no planeta.
Significaria que Marte teria de ter sido muito mais quente e úmido nos seus primeiros dois bilhões de anos do que se supunha. Segundo a equipe do Curiosity, o planeta também precisaria apresentar um forte ciclo hidrológico global, com chuva ou neve, para manter estas condições úmidas. O planeta poderia até mesmo ter tido um oceano em algum lugar de sua superfície.
"Para que um lago tivesse existido por milhões de anos, seria necessário haver também um grande corpo permanente de água, como um oceano, para criar umidade atmosférica e impedir que o lago evaporasse", disse Ashwin Vasavada, cientista adjunto do projeto Curiosity. Pesquisadores têm especulado por décadas que as planícies do norte poderiam ter tido um grande mar no início da história de Marte. Os últimos resultados das análises do Curiosity certamente reacenderão o interesse por esta ideia.
Mas o Monte Sharp é grande demais para ser explicado desta forma. As conclusões do projeto Curiosity vieram após observações geológicas feitas ao longo de um ano, quando o robô passou a seguir rumo ao sul, na direção da montanha, desde seu local de pouso em 2012. Nesse percurso, o robô encontrou sedimentos abundantes que obviamente foram depositados por rios antigos.
E, quanto mais ao sul o robô chegava, mais claro ficava que esta atividade fluvial desaguava em deltas e lagos estáticos no centro da cratera. Mas o indício mais importante foi a inclinação dos terrenos onde estavam os sedimentos, que desciam em direção à montanha. Isso sugere que a água ia rumo ao centro da cratera Gale, onde teria se acumulado. Ao longo de milhões de anos, os sedimentos teriam formado camadas e mais camadas de rocha, levando à criação do Monte Sharp.
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