Um bizarro buraco negro que vomita balas de plasma e move o espaço tempo.
Geralmente, esses jatos saem diretamente dos polos dos buracos negros em uma linha perpendicular ao anel de matéria que os envolve, o chamado disco de acreção. Mas no caso do V404 Cygni os jatos são expelidos rapidamente em diferentes direções e de forma curva.
Os jatos parecem girar rapidamente como nuvens de plasma de alta velocidade, com apenas alguns minutos de intervalo.
"É um dos mais extraordinários sistemas de buraco negro já encontrado", disse o principal autor do estudo, James Miller-Jones, do Centro Internacional de Pesquisa em Radioastronomia da Universidade de Curtin, na Austrália.
O disco de acreção do buraco negro tem 10 milhões de quilômetros de diâmetro, e a mecânica deste disco é responsável pelo inusitado comportamento do jato. Em geral, se espera que o disco gire no mesmo eixo que o buraco negro - mas não foi o que aconteceu desta vez.
"O que é diferente no caso do V404 Cygni é que acreditamos que o disco de matéria e o buraco negro estão desalinhados", explica Miller-Jones.
A pesquisa se baseou em observações do Very Long Baseline Array (VLBA), um radiotelescópio formado por dez antenas localizadas em diferentes enclaves dos Estados Unidos.
Também foram utilizados dados do observatório integral de alta energia da Agência Espacial Europeia (ESA). Os cientistas investigam as causas do inusitado desalinhamento entre o buraco negro e o disco de matéria que o rodeia. Uma das possibilidades é que o eixo de rotação do buraco negro tenha sido inclinado por um impacto durante a explosão estelar que o criou.
A mudança no eixo de rotação se deveria também a um fenômeno chamado efeito de arrasto de referenciais (frame dragging, em inglês), previsto por Albert Einstein em sua teoria da relatividade geral. Ao girar, o campo gravitacional rotatório do buraco negro é tão intenso que arrasta o espaço-tempo em seu entorno.
A constatação, segundo os autores do estudo, amplia nosso conhecimento sobre a formação de buracos negros - e, como destaca Sivakoff, "nos dá um pouco mais de informação sobre a grande questão: como conquistamos nosso lugar no Universo?"
fonte:bbc.com
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